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17.9.09

A Violência

 
A Violência é linda, e não há quem discorde disso.

Né?

10.9.09

Los Ex-Novios

 
- Todo Carnaval tem seu Fim.
  
   E é o fim, e é o fim. Depois de todo aquele tempo os dois finalmente se separaram. Ambos tristes. Ele não bebe. Mas ela sim. E numa dessas noites em que afogava as mágoas nos braços de um outro alguém, numa felicidade ébria e depressiva, percebeu a verdade:

- Todo Fim tem seu Carnaval.

18.8.09

O Persistente José

 
Nasceu, viveu, casou, morreu e voltou depois pra assombrar a sogra.

29.4.09

Trecho de "Meio Acordado"

 
   "Um avião de papel, muito caprichado, feito em papel preto com a cabine desenhada em hidrocor cinza na ponta, provavelmente feito por criança. Na parte de trás também havia detalhes. Poderia-se dizer que aquele era um lindo avião de papel, ele era imponente, pouco maior do que um simples “aviãozinho” e ainda assim conseguia manter sua graça, com os traços infantis, frutos da imaginação de uma criança. Definitivamente aquele “caça” de papel não merecia morrer pisoteado no chão de um prédio empresarial sem vida. Era o presente ignorado dum filho de homem de terno e barba feita." (...)

02/05/08

 
   Me senti aéreo. Como se o barulho das crianças brincando com seus talheres e seu prato não chegasse a mim, nem mesmo os berros de suas mães dizendo que parassem ou os gritos de seus pais numa discussão sobre futebol. A comida não estava na mesa ainda, mas seu cheiro vinha da cozinha, já me alimentando, ao menos minha mente, com saborosas carnes e massas. As vibrações chegavam até a mim, minhas mãos tremiam só de me apoiar sobre a mesa. Todos aqueles sorrisos e emoções... Era uma atmosfera tão nostálgica que quando prestei atenção em mim mesmo, percebi que estava aéreo.

Abrindo a porta

 
   Mesmo na fração de segundo antes d’eu abrir a porta eu sabia como seria lá dentro. O cheiro de vinho não escondia que meus sonhos eram mais reais do que eu mesmo imaginava. Eu estava atravessando o ultimo vestígio de nuvem e chegando à casa de Bukowski - o inferno divinizado, eu pensei.

24.4.09

Os Leões

 
   Era uma vez uma família que foi fazer uma viagem de avião para São Paulo.
   Aí, o avião caiu no meio da floresta e só o violinista sobreviveu. A família morreu.
   A floresta era toda cercada de leões. Aí, o violinista começou a tocar seu violino e o leão foi em cima dele e comeu ele todinho.
   O leão falou assim:
- Estou com a barriga cheia e vou dormir.
   Aí ele dormiu muito e acabou a história.

(Escrito por 'dos sonhos', aos 5 anos de idade)

10.4.09

Cor

 
   Chave Inglesa. Caminhão. Índios. Corpo humano. Guerra. Gorro. Jorra. Jarra de suco de morango com hortelã, no café da manhã e no lanche da tarde – Crepúsculo Lindo e Mortal. Vermelho. Vermelho. Vermelho. Menstruação. Cirurgia. Assassinato. São a mesma coisa, pelo mesmo motivo. Vermelho vermelho vermelho vermelho vermelho vermelho vermelho vermelho.Vermelho como a dor. Vermelho com o coração. Vermelho como a paixão. Vermelho como o amor.

8.3.09

Improdutividade Privacional Pessoal

   
   Um rapaz escreveu uma poesia. Ele tinha mais de 50, mas nenhuma chegava aos pés dessa. Com medo de roubos e assaltos poéticos, José Dias não mostrou seus versos à ninguém.

6.3.09

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Sete socos.
Surra, sabe?
Santo sem sorte.
Sol.
Sinos.
Saíram.
Sozinho.
Se sobreviverei?
Será?
Sim.
Sei senhas.
Sei sorrir.
Sorrio sangrando satisfeito:
Salvei Sandrinha.

O conto escrito em 28 de fevereiro de 2008

 
   Atirou o lápis para qualquer lugar. O grafite partiu-se na colisão direta da ponta com o chão. Seu olhar pairava sobre aqueles recortes de jornais. Agora, circular algumas notícias parecia uma boa coisa e se arrependeu de ter arremessado seu lápis no breu que era a parte não iluminada da sala.

  • Turquia confirma fim da ofensiva militar contra curdos no Iraque
  • Seqüestro do arcebispo Paulos Faraj Rahho em Nínive
  • Presidente Álvaro Uribe exige a libertação de Ingrid Betancourt
  • Presidente Hugo Chávez propõe a criação de 'grupo de amigos para la paz en Colombia'
  • O vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai, ameaça lançar 'holocausto' sobre Gaza

   Besteira, besteira. Suas pálpebras estavam pesadas, mas não queria dormir, não agora. Os ponteiros do relógio da parede indicavam uma e cinqüenta e nove. Madrugada. Como naquele 28 de fevereiro em que não quisera dormir e preferira escrever.

  • Presidente Nicolas Sarkozy (França) e sua mulher, Carla Bruni, encontram Nelson Mandela
  • Manifestação da Nación y Revolución y Combat España na Plaza de Tirso de Molina - Madrid
  • Depoimento do ex-deputado José Janene na Justiça Federal de Londrina
  • Explosão na indústria de explosivos Exsa em Lurín
  • Inauguração das instalações do 'Palacio de los Deportes de Santiago'

   Os recortes estavam embaralhados e seus olhos rapidamente negavam essa merda internacional. Queria poder ter achado um bom jornal inteiro, mas na pressa da noite esse punhado de notícias do vizinho maluco era sua única fonte.

  • Desviado o curso do rio São Marcos para construção da Usina Serra do Facão (GO)
  • Promulgada lei convocando referendos (04/05/2008) relativos à nova Constituição
  • Espanha autoriza a extradição do ex-militar Ricardo Cavallo para a Agentina
  • Explosão de carro movido à gás no Elevado do Joá - Rio de Janeiro
  • Atentado suicida em Mingora (mais de 30 vítimas)

   Era absurdo. Como tanta coisa podia acontecer num só dia? Tanta morte, tanta lei, tanta gente se movendo de um país para o outro, enquanto sua vida fica enclausurada naquele apartamento. O vizinho lhe disse exatamente isso - Eu não gosto de estar perto de pessoas, mas a capacidade delas de fazerem todo dia entrar na história me fascina. A única informação que ela queria encontrar, não encontrava.

  • O candidato Gennadi Zyuganov acusa Putin de preparar fraude para as eleições
  • Exposição 'Revolução Genômica' - Parque Ibirapuera - São Paulo
  • Ministério da Defesa anuncia que o príncipe Harry será removido do Afeganistão
  • Inauguração do novo terminal do aeroporto de Pequim
  • Incêndio no restaurante La Chacra em Buenos Aires

   Fogo, seqüestro, guerras que moldam o que estará caro amanhã e o que ela estaria vestindo depois de amanhã. Tanta coisa. Seus olhos baixaram para o lápis de ponta quebrada no chão. Lembrou-se do conto escrito em 28 de fevereiro de 2008. Naquele dia tão ruim, tinha feito algo tão lindo - duas mil, trezentas e vinte uma palavras que a catapultaram para o sucesso.

  • Registrados mais de 100 tremores de terra em 32 municípios do Ceará
  • Iraque aprova a execução por enforcamento de Ali Hassan al-Majeed ('Ali Químico')
  • Reservas internacionais do Japão supe...

   Caiu no sono. E não descobriu se homem que a havia salvo de dois assaltantes munidos de armas, sobrevivera ou não. Na noite daquele dia, aquele conto era para ele. Mas fazia mais de um ano que não conseguia achá-lo em lugar nenhum. Passou por sua cabeça procurar por sua morte no jornal do dia seguinte. Mas nada. Não se lembrava tão bem quanto desejava daquele olhar de confiança.

   Só podia sonhar com aquela segurança jamais alcançada novamente. E foi isso que fez.

27.2.09

Sovitejda

   Wanda não consegue escrever. Sabe muitos nomes, nomes demais. Mas jamais usa os nomes dos ex-namorados dela e das amigas. Suas personagens não tinham nome, como ela costumava não ter por odiar o nome Wanda. Mas talvez jamais conseguisse escrever, pois os homens jamais teriam nome em suas histórias. Ela pensava como cineasta. Não era escritora, mas produzia filmes, vidas e sem nome's dentro da própria cabeça. Nunca teve a oportunidade de criar sua película que ganharia um Oscar pelo roteiro. Nem de fazer outros filmezinhos só pela fama que conquistaria. Wanda nunca se casaria – não saberia que nome dar ao filho, não gostaria de casar sem ter filhos. Nada disso aconteceu. Wanda conseguiu enfim.

Cinco Minutos

   
   A garrafa caiu da sua mão e rolou pelo quarto até bater numa catacrese, o pé da cama. Ele não soluçava, nem estava tão bêbado, mas sentia-se esmagado. Sua barriga transbordava pela calça, em banhas. Ele estava um lixo e sabia disso. Não queria uma mulher. Não queria mais uma garrafa. Não queria dinheiro. Nem fama. Nem sucesso. Família não existia. Nada lhe interessava.
   Exceto a música. Mas essa estava desaparecendo... Outro dia ouviu uma canção da moda e teve o ímpeto de vomitar. Ele se arrastou pelo quarto em busca de sua guitarra. Reclamava em voz alta que o mundo estava matando-o.
   Talvez, fosse uma má fase. Ele sempre pensava que tudo tinha seus maus momentos como ele estava tendo essa péssima etapa em sua vida.
   Tentou tocar alguma coisa, mas estava lento velho gordo ruim cansado bêbado só.